Nuno Nabais é professor universitário de filosofia.

«Enquanto em geral as psicoses demenciais sistematizadas repousam sobre perturbações sensoriais predominantes e quase permanentes, todos os casos que aqui reunimos são, quase que exclusivamente, baseados em interpretações delirantes; as alucinações, sempre episódicas quando existem, não desempenham neles papel quase nenhum...
A ‘interpretação delirante’ é um raciocínio falso que tem por ponto de partida uma sensação real, um fato exacto, o qual, em virtude de associações de ideias ligadas às tendências, à afectividade, assume, com a ajuda de induções e deduções erradas, uma significação pessoal para o doente...
A interpretação delirante distingue-se da alucinação e da ilusão, que são perturbações sensoriais. Difere também da ideia delirante, concepção imaginária, inventada ponto por ponto, não deduzida de um fato observado.”
Difere ainda, segundo o autor, da mera interpretação falsa, isto é, do erro vulgar, por duas razões: (1) “O erro é, no mais das vezes, rectificável; a interpretação delirante, incorrigível.” (2) “O erro permanece isolado, circunscrito; a interpretação delirante tende à difusão, à irradiação, ela se associa a ideias análogas e se organiza em sistema.” »